Todas
as caixas estavam vazias e empilhadas na área de fora da casa. Seriam recolhidas no dia seguinte às oito da
manhã e então tudo estaria arrumado e perfeito.
Olhei em volta e meu sorriso bobo inundou a cozinha. A geladeira estava
lotada, todos os móveis eram lindos, estava perto da natureza e podia criar os
animais perto de seu habitat natural. Terminei de alimentar os cavalos e
tranquei as portas. O cansaço me ajudou a dormir um sono profundo por 9 horas
seguidas. Bom, pelo menos eu achei que tinha dormido durante 9 horas.
Acordei sentindo algo úmido e áspero passando pelo
meu rosto em movimentos contínuos e rápidos. Abri os olhos e vi bem de perto os
dentes do meu cachorro mais novo, que
estavam prestes a morder meu nariz. Virei o rosto e gritei um não
abafado que quase não saiu e senti uma
dor horrível no peito. Não conseguia me mover nem levantar da minha cama e
olhei meu cachorro mais uma vez. Agora com ele bem perto notei que seus pelos
estavam diferente, um pouco desgrenhados e bem perto de seu nariz havia um
verruga comum nesta raça quando ficam mais velhos. Tentei levantar novamente e não consegui.
Olhei para meu peito dolorido e no lugar de meu coração havia um buraco e um
pouco de sangue. Do susto consegui juntar forças, pulei da cama desesperada e
consegui andar até o banheiro. Olhei no espelho e para meu terror lá estava:
meu peito completamente vazio.
Abri
as gavetas do banheiro desesperada ainda confusa sobre o que estava procurando
e encontrei agulhas e linhas. Rapidamente costurei meu peito para estancar o
pouco de sangue, fiz um curativo e vesti uma roupa. Quando saí do banheiro o
pânico piorou. Algo estava errado. Quando me virei percebi que além de terem
roubado meu coração eu estava cinco anos mais velha. Minha pele estava pálida, meus olhos inchados
e os contornos em volta deles estavam mais roxos que uma beterraba, e meu corpo
curvado e muito magro me olhava no espelho. Como aquilo poderia estar
acontecendo? Saí correndo do banheiro a procurar meus cachorros mais velhos e
eles haviam sumido. Encontrei três túmulos pequenos no jardim e dois grandes na colina mais acima. Cinco animais já
haviam partido. Não tive vontade de chorar, me concentrei em afastar o pânico e
a confusão e então entendi que sem meu coração, não poderia viver.
Alimentei os animais, arrumei a casa, fiz comida, precisava de alimentos para ter forças e coloquei uma troca de roupa e pães em uma mala pequena. Despedi-me de meu cachorro com um beijo em sua cabecinha pequena e parti para recuperar meu coração.
A entrada da cidade havia sido reformada pelo novo prefeito e a rua principal parecia enfeitada para uma festa. Não sabia por onde começar nem para onde deveria ir. Pensei que se houvesse uma festa, toda a cidade deveria se reunir ali então seria mais fácil encontrar quem roubou meu coração. Subi pela arquibancada decorada e esperei. As pessoas começaram a chegar e a se sentar e conversar e as ruas começaram a ficar barulhentas demais. Todas as pessoas pareciam tão envelhecidas e não havia nenhuma criança. Será que todas as crianças já haviam crescido? Mas e os adultos? Não tiveram mais filhos? Aquilo era total perda de tempo.
Alimentei os animais, arrumei a casa, fiz comida, precisava de alimentos para ter forças e coloquei uma troca de roupa e pães em uma mala pequena. Despedi-me de meu cachorro com um beijo em sua cabecinha pequena e parti para recuperar meu coração.
A entrada da cidade havia sido reformada pelo novo prefeito e a rua principal parecia enfeitada para uma festa. Não sabia por onde começar nem para onde deveria ir. Pensei que se houvesse uma festa, toda a cidade deveria se reunir ali então seria mais fácil encontrar quem roubou meu coração. Subi pela arquibancada decorada e esperei. As pessoas começaram a chegar e a se sentar e conversar e as ruas começaram a ficar barulhentas demais. Todas as pessoas pareciam tão envelhecidas e não havia nenhuma criança. Será que todas as crianças já haviam crescido? Mas e os adultos? Não tiveram mais filhos? Aquilo era total perda de tempo.
_
Oi Jane. – escutei uma voz. Olhei para
meu lado e vi um Senhor que imaginei ter um pouco mais de 85 anos e estava
segurando uma jaqueta já bem gasta de couro amarela. Ele era bem peculiar.
_
O Senhor me conhece?
_ Eu forneço a ração dos seus cachorros.
_Ah claro! |Como vai, Senhor Hamilton? Desculpe estou muito distraída hoje. Alguém roubou meu coração. Não sei como recuperá-lo.
_ Ah sim, isso é muito grave. Você não pode viver sem um coração. Restam-lhe poucos dias de vida. Mas tente começar pelos lugares por onde você passou durante os últimos anos.
Era uma ideia genial. Eu acordara na fazenda então lá não estava. Na pequena loja de rações também não, pois o proprietário estava na arquibancada comigo. Pensei na grande confeitaria. Corri como louca pela cidade e quando cheguei lá, a filha mais velha de Dona Lurdes me olhava assustada. Olhei em volta e todas as pessoas continuavam suas rotinas normalmente como se não estivessem me vendo. Acenei timidamente para a menina Clara e pedi um croissant com manteiga. Clara sentou-se na minha frente e olhou para meu decote. A costura estava aparente e rapidamente fechei o botão e ela perguntou se eu tinha procurado na antiga gravadora de música. Ela disse para prestar atenção se alguém tinha algum traço parecido com o meu e a saúde e cor que inundavam meu corpo cinco anos atrás. Eu perguntei como ela sabia que eu estava procurando meu coração. E ela só respondeu:
_ Porque eu nunca vi alguém com o peito costurado e os olhos vermelhos e frios como os seus.
Os meus olhos estavam vermelhos? Pedi licença a Clara e fui calmamente ao banheiro. Quando me olhei no espelho percebi que meus olhos estavam cor de sangue. Os castanhos haviam sumido completamente e minha pele estava mais enrugada. Peguei minha mala, paguei o croissant e andei em direção à única gravadora que conhecia. Quando vi a fachada, o vento balançou meu vestido e meu cabelo. Uivou muito alto e me senti em um cenário dramático de filme antigo. Minhas lembranças me abraçaram forte como se tivessem me impulsionando a entrar e pareciam estar vivas ao meu redor. A rua de repente se esvaziou abrindo caminho até a porta rotatória e a recepcionista levou um susto quando me viu.
_ Jane, quanto tempo! Você está bem? Quer um pouco de água?
_ Preciso subir ao segundo andar. _ Eu sabia exatamente onde estava indo.
Quando saltei do elevador ele estava abrindo a porta de vidro. Bill estava radiante. Sua pele estava branca como sempre, mas suas maçãs do rosto estavam coradas demonstrando felicidade e saúde, seu corpo estava forte e esbelto e seus passos saltitantes e contagiantes pareciam iluminar o ambiente. Ele me olhou e sorriu normalmente. Andei em sua direção, abri sua mochila, peguei meu coração ainda pulsante vermelho e lindo e o recoloquei em meu peito. Imediatamente minha pele voltou ao normal, meu corpo rejuvenesceu, eu senti todos os meus ossos fortes e meu sangue correndo quente pelas minhas veias. Vi meus olhos castanhos pelo reflexo na porta de vidro que Bill acabara de abrir e senti uma raiva insana.
_ Como você teve coragem de roubar meu coração? Deixou-me sozinha com o peito aberto e sangrando para morrer? _ eu gritava indignada. Bill me olhou calmamente e respondeu:
_Mas Jane, ... foi você que me deu.
_ Eu forneço a ração dos seus cachorros.
_Ah claro! |Como vai, Senhor Hamilton? Desculpe estou muito distraída hoje. Alguém roubou meu coração. Não sei como recuperá-lo.
_ Ah sim, isso é muito grave. Você não pode viver sem um coração. Restam-lhe poucos dias de vida. Mas tente começar pelos lugares por onde você passou durante os últimos anos.
Era uma ideia genial. Eu acordara na fazenda então lá não estava. Na pequena loja de rações também não, pois o proprietário estava na arquibancada comigo. Pensei na grande confeitaria. Corri como louca pela cidade e quando cheguei lá, a filha mais velha de Dona Lurdes me olhava assustada. Olhei em volta e todas as pessoas continuavam suas rotinas normalmente como se não estivessem me vendo. Acenei timidamente para a menina Clara e pedi um croissant com manteiga. Clara sentou-se na minha frente e olhou para meu decote. A costura estava aparente e rapidamente fechei o botão e ela perguntou se eu tinha procurado na antiga gravadora de música. Ela disse para prestar atenção se alguém tinha algum traço parecido com o meu e a saúde e cor que inundavam meu corpo cinco anos atrás. Eu perguntei como ela sabia que eu estava procurando meu coração. E ela só respondeu:
_ Porque eu nunca vi alguém com o peito costurado e os olhos vermelhos e frios como os seus.
Os meus olhos estavam vermelhos? Pedi licença a Clara e fui calmamente ao banheiro. Quando me olhei no espelho percebi que meus olhos estavam cor de sangue. Os castanhos haviam sumido completamente e minha pele estava mais enrugada. Peguei minha mala, paguei o croissant e andei em direção à única gravadora que conhecia. Quando vi a fachada, o vento balançou meu vestido e meu cabelo. Uivou muito alto e me senti em um cenário dramático de filme antigo. Minhas lembranças me abraçaram forte como se tivessem me impulsionando a entrar e pareciam estar vivas ao meu redor. A rua de repente se esvaziou abrindo caminho até a porta rotatória e a recepcionista levou um susto quando me viu.
_ Jane, quanto tempo! Você está bem? Quer um pouco de água?
_ Preciso subir ao segundo andar. _ Eu sabia exatamente onde estava indo.
Quando saltei do elevador ele estava abrindo a porta de vidro. Bill estava radiante. Sua pele estava branca como sempre, mas suas maçãs do rosto estavam coradas demonstrando felicidade e saúde, seu corpo estava forte e esbelto e seus passos saltitantes e contagiantes pareciam iluminar o ambiente. Ele me olhou e sorriu normalmente. Andei em sua direção, abri sua mochila, peguei meu coração ainda pulsante vermelho e lindo e o recoloquei em meu peito. Imediatamente minha pele voltou ao normal, meu corpo rejuvenesceu, eu senti todos os meus ossos fortes e meu sangue correndo quente pelas minhas veias. Vi meus olhos castanhos pelo reflexo na porta de vidro que Bill acabara de abrir e senti uma raiva insana.
_ Como você teve coragem de roubar meu coração? Deixou-me sozinha com o peito aberto e sangrando para morrer? _ eu gritava indignada. Bill me olhou calmamente e respondeu:
_Mas Jane, ... foi você que me deu.



