segunda-feira, 27 de maio de 2013

 The Moon


“ Por que nos apaixonamos por uma pessoa mesmo sabendo que ela é errada?

— Essa eu sei a resposta. Porque você espera estar enganado, e sempre que ela faz uma coisa que mostra que ela não é boa, você ignora, e sempre que ela age bem e te surpreende, ela te reconquista. E então você esquece a idéia de que ela não serve para você.”

 
Do filme “ O amor não tira férias”

 
Eu não sabia que o barzinho estaria tão cheio. A aniversariante tinha muitos amigos e todos gostavam daquela situação, mas considerando o frio que fazia na cidade e no número de casacos que todos teriam que vestir para tomar uma cerveja gelada e sentir mais frio ainda, tive esperanças.
_Você conhece a Green de onde?  - um adolescente com olhos vermelhos me perguntou cuspindo para todo lado.
“ De um lugar onde as fadas não são perturbadas por adolescentes brisados que não sabem que o verde da grama que ele pisa todos os dias não é tão verde quanto o lugar distante de tudo que ele já viu na vida mostra.”
- Do trabalho. Preciso conversar com uma amiga. Licença. – respondi e andei para o outro lado do bar fingindo estar procurando alguém e querendo escapulir silenciosamente para minha cama quentinha antes de Green notar minha ausência.
_ Seu nome é Jane?
Escutei uma voz rouca vindo do meu lado esquerdo e soube que passaria frio por pelo menos mais uma hora.
_ Sim. Você me conhece? Desculpe... não lembro de você.
_ Sou o pai da Green, meu nome é Alcide, te reconheci pela foto.
Quando ele me ofereceu o vinho, que eu não aceitei, pois nunca aceito vinho quando converso com um homem que não conheço, o frio aumentou e decidi voltar para a mesa e pedir um refrigerante. Eu poderia dormir mais tarde para conversar com Alcide, afinal de contas, ele era o homem mais velho e interessante do bar.
Quando estávamos quase chegando perto da mesa, o adolescente brisado me olhou com expressão de dúvida nos olhos e quase gritei minha idade para ele , apesar de não ter escutado pergunta alguma  mas algo me dizia que ele não imaginava.
Foi quando a vi.
O cabelo comprido e esvoaçante chegava envolvendo os olhares do bar inteiro. O rosto vermelho por causa do frio e a expressão séria de quem não estava no lugar preferido me tirou a atenção de tudo em volta. Moon não tinha a delicadeza feminina de uma mulher que conquista qualquer tipo de homem, mas era de uma beleza natural, daquelas que podem acampar na praia deserta por meses e acordar encantando até os passarinhos.
Voei meu olhar pelos quatro cantos do bar, permitindo que meu QI acima da média planejasse e calculasse em menos de dois segundos a saída perfeita sem que uma alma viva naquela espelunca sequer lembrasse que estive lá por longas duas horas.
Enquanto o pai da Green me contava suas magníficas histórias de veleiros no Caribe, consegui um resultado da matemática toda. Até que não era tão difícil, considerando o tamanho de Alcide e as quatro vezes por semana de malhação intensa para parecer o Hulk.
_ Está muito frio aqui, Alcide. Eu estou morrendo por um café espresso quentinho com chantilly. O que acha?
_ Green!!! Green!!! Vou sair para um café  com a Jane, pegue as chaves do carro e volte com segurança.
Oh Não! A minha matemática perfeita não calculou o escândalo de Alcide. Moon me olhou com a expressão mais fria que já vi na vida e eu congelei. Imaginei duas cenas em uma fração de segundos e nas duas meu olho estava roxo e meu lábio superior sangrava. Ela sabia exatamente quem eu era e o que tinha feito. Muitas coisas estavam escondidas mas o que mais importava para ela, estava claro e transparente como água. Todas as curiosidades que me assombravam a respeito dela foram desaparecendo com o medo tomando conta. Meu medo não era de encará-la , mas encarar o resultado de uma situação que prejudicaria Bill e seu relacionamento com a garota de seus sonhos.
Enquanto Moon andava na minha direção, todas as perguntas na minha cabeça com relação a essa garota me confundiam. Eu queria ouvir sua voz eu queria entender o que era tão especial além da aparência física mas ao mesmo tempo eu queria correr.
_ OI, Jane.
_(...) _ eu estava muda.
_ Pela sua cara eu imagino que dispenso apresentações.
_(...) _continuei muda
_ Eu queria saber se está tudo bem. Eu quero saber a verdade. O que houve?
Eu queria dizer para ela que sou a última das preocupações de sua vida ou de seu relacionamento, que nunca mais ela vai ouvir meu nome ou me ver em qualquer situação relacionada a Bill, que ele nunca me amou como ele a ama e que se algum dia ela deixá-lo para sempre ele sofrerá  e eu estarei bem longe, pois não sou tão importante para ele a ponto de ficar ali para sempre. Não tenho poder para isso, nunca tive, ele nunca vai me aceitar como namorada, mas a única palavra que saiu de minha boca foi:
_ Nada.